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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

"Meu coração fica junto ao coração dela..."

Rubem Alves

'A boca fala do que está cheio o coração': esse é um ditado da sabedoria judaica, que se encontra nas Escrituras Sagradas.
Bem que poderia ser a explicação sumária daquilo que a psicanálise tenta fazer: ouvir o que a boca fala para se chegar ao que o coração sente.

Acontece comigo. Cada texto é uma revelação do coração de quem escreve.
Pois o meu coração ficou cheio com uma coisa que me disse minha neta Camila, de onze anos. O que ela falou fez meu coração doer. Como resultado fico pensando e falando sempre a mesma coisa.

A Camila estava na sala da televisão sozinha, chorando. Fui conversar com ela para saber o que estava acontecendo. E foi isso que ela me disse: 'Vovô, quando eu vejo uma pessoa sofrendo eu sofro também. O meu coração fica junto ao coração dela...'

Percebi que o coração da Camila conhecia aquilo que se chama 'compaixão'.
Compaixão, no seu sentido etimológico, quer dizer 'sofrer com'. Não estou sofrendo. Mas vejo uma pessoa sofrer. Aí eu sofro com ela. Ponho o outro dentro de mim. Esse é o sentido do amor: ter o outro dentro da gente.

O apóstolo Paulo escreveu que posso dar tudo o que tenho aos pobres, mas se me faltar o amor, nada serei. Porque posso dar com as mãos sem que o coração esteja a sentir. A compaixão é uma maneira de sentir. E dela que brota a ética. Alguém foi se aconselhar com Santo Agostinho sobre o que fazer numa determinada situação. Ele respondeu curto e definitivo: 'Ama e faze o que quiseres.' Pois não é óbvio? Se tenho compaixão nada de mal poderei fazer a quem quer que seja.

Fernando Pessoa escreveu um curto poema em que descreve a sua compaixão. Por favor, leia devagar: 'Aquele arbusto fenece, e vai com ele parte da minha vida. Em tudo quanto olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa, passo. Nem distingue a memória do que vi do que fui'.

Compaixão por um arbusto... Ele explica esse mistério da alma humana dizendo que 'em tudo quando olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa passo...' Os olhos, movidos pela compaixão, o faziam participante da sorte do pequeno arbusto...

Eu já sabia disso. Mas nunca havia enchido o meu coração ao ponto de doer. Doeu porque liguei a fala da Camila a essa tristeza que está acontecendo no Brasil. Os corruptos são homens que passaram pelas escolas, são portadores de muitos saberes. Tendo tantos saberes, o que lhes falta? Falta-lhes compaixão.

A falta de compaixão é uma perturbação do olhar. Olhamos, vemos, mas a coisa que vemos fica fora de nós.

Vejo os velhos e posso até mesmo escrever uma tese sobre eles, se eu for um professor universitário. Mas a tristeza do velho é só dele, não entra dentro de mim. Durmo bem.

Nossas florestas vão aos poucos se transformando em desertos mas isso não me faz sofrer.Não as sinto como uma ferida na minha carne.

Vejo as crianças mendigando nos semáforos mas não me sinto uma criança mendigando num semáforo.

Vejo os meus alunos nas salas de aulas, mas meu dever de professor é dar o programa e não sentir o que os meus alunos estão sentindo.

De que vale o conhecimento sem compaixão?

Todas as atrocidades que caracterizam os nossos tempos foram feitas com a cumplicidade do conhecimento científico. Parece que a inteligência dos maus é mais poderosa que a inteligência dos bons.

Sabemos como ensinar saberes. Há muita ciência escrita sobre isso. Mas não me lembro de nenhum texto pedagógico que se proponha a ensinar a compaixão. Talvez o livrinho de Janucz Korczak Como amar uma criança. Mas Korczak é uma exceção. Ele sabia que para se ensinar algo a uma criança é preciso amá-la primeiro.. Korczak era um romântico... Por isso o amo...

Aí fiz a mim mesmo uma pergunta pedagógica: 'Como ensinar a compaixão?'

Conversando sobre isso com minha filha Raquel, arquiteta, ela se lembrou de um incidente dos seus primeiros anos de escola, quando menina de sete anos. Seria o aniversário da faxineira, uma mulher que todos amavam. A classe se reuniu para escolher o presente. Ganhou por unanimidade que, no dia do seu aniversário, as crianças fariam o seu trabalho de faxina.
Disse-me a Raquel que a faxineira chorou...

Sei que as crianças aprendem com o olhar, o olhar das professoras. Elas sabem quando as professoras as olham com os mesmos olhos com que Fernando Pessoa olhava o arbusto.

Sei também que as estórias provocam compaixão, quando o leitor se identifica com um personagem. Sei de um menininho que se pôs a chorar ao final da estória O patinho que não aprendeu a voar. Ele teve compaixão do patinho. Identificou-se com ele. Vai carregar o patinho dentro de si embora o patinho não exista.

Lemos estórias para as crianças e para nós mesmos não só para ensinar a língua mas para ensinar a compaixão.

Mas continuo perdido.

Preciso que vocês me ajudem.

Como se pode ensinar a compaixão?

Fonte:
http://www.rubemalves.com.br/meucaoracaoficajuntoaocoracaodela.htm

domingo, 30 de agosto de 2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Vivendo .... refletindo e sonhando





Eu queria ter hoje uma música, uma poesia, uma prosa, ou ainda, outra forma poética de expressar os meus sentimentos, mas não tenho o dom da palavra, não sei escrever poemas, muito menos prosas ou poesias. 
Assim deixo as palavras fluírem, expressando o que bate no peito. 
Se é saudade eu não sei, se falta ou se ausência, também não sei responder, sei apenas que na vida tudo muda de repente, tudo se esvai, tudo passa, tão rápido tão de repente que mal se pode entender.
Queria descrever esse elo, que como um elástico esticando vai me distanciando do que eu era, do que eu quero conservar.
Se tudo ficasse parado, talvez em algum instante eu voltasse a te encontrar.

Uma mãe à procura de seu filho.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

domingo, 31 de maio de 2009

Há esperança!

“Porque há esperança para a árvore, que, se for cortada, ainda torne a brotar, e que não cessem os seus renovos. Ainda que envelheça a sua raiz na terra, e morra o seu tronco no pó, contudo ao cheiro das águas brotará, e lançará ramos como uma planta nova.” (JÓ 14.7-9)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O sentido de estar em familia


O sentido do pertencimento.

Para quem está distante, a família representa o vínculo com a própria história, o sentido do pertencimento, das raízes entrelaçadas que alimenta a alma, que faz crescer o corpo, que nutre e fortalece os nobres sentimentos de amor, de cooperação, de aceitação das diferenças e de respeito às divergências. 
É na convivência familiar, entre irmãos, primos, sobrinhos e vizinhos, nas cantigas de rodas, nos jogos de bola, nas lutas e desafios pela defesa de espaço próprio, é caindo, levantando, chorando e sorrindo, que aprendemos a arte de saber viver. 
Assim, a família representa aquilo que fomos, o que somos e o que ainda seremos. 
Sim, o que ainda seremos por meio de filhos, netos, bisnetos etc., que carregam nas partículas de seu organismo, em seus genes, a essência da nossa existência. 
A família é a maior de todas as bençãos que Deus, o todo poderoso, concedeu aos seres vivos, especialmente aos humanos, em cuja alma há o anseio pela felicidade. 
Estar ali, junto a meus familiares, significou para mim a renovação das forças. Sim, a renovação de laços que preservo na alma. 
Talvez eu tenha sido a primeira filha a quebrar o cordão umbilical do apego, a viajar, viver e estudar distante, a romper as tradições e morar sozinha. 
O anseio de conhecer, de seguir em frente, de ver além do comum, foram forças que me inquietaram e me impulsionaram na caminhada. Mas isso nunca foi impedimento para celebrar a vida em família. 
Quando volto desses encontros, ainda que tenham durado apenas uma semana, quando retorno à rotina do trabalho, todos percebem o quanto fui renovada. 
Como diz o Renato Teixeira:"É preciso amor pra poder pulsar, É preciso paz pra poder sorrir, É preciso a chuva para florir..." 
Esta é uma homenagem que faço a todos vocês, meus amigos, meus amados, meus irmãos, meus sobrinhos, meus netos por tabela, e ao Tiago, meu lindo, inteligente e amigo sobrinho/neto, a quem eu peço licença para alegrar esta mensagem com a sua foto. Uma homenagem aos que conseguem penetrar na minha alma e renovar o meu ser.

Helena

segunda-feira, 27 de abril de 2009