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domingo, 18 de outubro de 2009

ABRAÇANDO A IMPERFEIÇÃO


Essa eu tirei da internet.(Livre tradução de um texto em inglês, sem designação de autoria.)

Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar. E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho, muito duro.

Naquela noite longínqua, minha mãe pôs um prato de ovos, lingüiça e torradas bastante queimadas, defronte ao meu pai.


Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez, foi pegar a
sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na escola.

Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.

Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que ele disse:

" Baby, eu adoro torrada queimada."

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele tinha realmente
gostado da torrada queimada. Ele me envolveu em seus braços e me disse:

"Companheiro, sua mãe teve hoje, um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada. Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém.
A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou um melhor empregado, ou cozinheiro!"

O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros.

Essa é a minha oração para você, hoje. Que possa aprender a levar o bem, o mal, as partes feias de sua vida colocando-as aos pés do Espírito. Porque afinal, Ele é o único que poderá lhe dar um relacionamento no qual uma torrada queimada não seja um evento destruidor. "

De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, e com amigos.

Não ponha a chave de sua felicidade no bolso de outra pessoa, mas no seu próprio.

Veja pelos olhos de Deus e sinta pelo coração Dele; você apreciará o calor de cada alma, incluindo a sua.

As pessoas sempre se esquecerão do que você lhes fez, ou do que lhes disse.

Mas nunca esquecerão o modo pelo qual você as acolheu e valorizou.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O que fazer num feriadão?

Estou ha mais de um ano sem férias. Vésperas de um feriado de 4 dias, sim, porque o dia 15.10, dia dos professores foi adiado para o dia 13, assim em vez de sairmos, voltarmos na terça e ter outro feriado na quarta, vamos ficar 4 dias seguidos. Que bom! Para quem anda tão estressada nada melhor do que uns dias de folga no trabalho. 
Assim, mesmo de última hora, consegui um espaço de hospedagem num hotel fazenda. 
Acredito que curtir um pouco da natureza, caminhando, nadando, cavalgando... quem sabe, eu possa conseguir? Meu desejo é que esses dias possam me devolver a vitalidade exigida no meu cotidiano. 
Estou aqui, continuo morando na mesma cidade há 7 anos. Acho que fiquei muito tempo, visto que a minha intenção era ficar dois anos, mas estar aqui me dá a esperança de conseguir me manter perto dos meus filhos. 
Em razão disso, gosto de viver aqui, me anima construir um espaço de vida, com qualidade, tranquilidade e uma certa acomodação necessária a se sentir bem. 
Quanto a isso não posso reclamar, essa cidade favorece realmente maior qualidade de vida do que a grande maioria das cidades que conheço. Mas, voltando ao feriadão, viajar sozinha não me agradou, então convidei uma amiga e depois de concordarmos com as condições, fechamos o pacote. 
Por mais que eu admire o avanço das tecnologias, utilizo-me dela para facilitar a minha vida, resolver problemas de forma ágil e confortável. Entretanto, me sinto mesmo à vontade e plenamente livre quando estou junto à natureza. 
Pensando nisso, creio que este feriado será muito bom.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

"Meu coração fica junto ao coração dela..."

Rubem Alves

'A boca fala do que está cheio o coração': esse é um ditado da sabedoria judaica, que se encontra nas Escrituras Sagradas.
Bem que poderia ser a explicação sumária daquilo que a psicanálise tenta fazer: ouvir o que a boca fala para se chegar ao que o coração sente.

Acontece comigo. Cada texto é uma revelação do coração de quem escreve.
Pois o meu coração ficou cheio com uma coisa que me disse minha neta Camila, de onze anos. O que ela falou fez meu coração doer. Como resultado fico pensando e falando sempre a mesma coisa.

A Camila estava na sala da televisão sozinha, chorando. Fui conversar com ela para saber o que estava acontecendo. E foi isso que ela me disse: 'Vovô, quando eu vejo uma pessoa sofrendo eu sofro também. O meu coração fica junto ao coração dela...'

Percebi que o coração da Camila conhecia aquilo que se chama 'compaixão'.
Compaixão, no seu sentido etimológico, quer dizer 'sofrer com'. Não estou sofrendo. Mas vejo uma pessoa sofrer. Aí eu sofro com ela. Ponho o outro dentro de mim. Esse é o sentido do amor: ter o outro dentro da gente.

O apóstolo Paulo escreveu que posso dar tudo o que tenho aos pobres, mas se me faltar o amor, nada serei. Porque posso dar com as mãos sem que o coração esteja a sentir. A compaixão é uma maneira de sentir. E dela que brota a ética. Alguém foi se aconselhar com Santo Agostinho sobre o que fazer numa determinada situação. Ele respondeu curto e definitivo: 'Ama e faze o que quiseres.' Pois não é óbvio? Se tenho compaixão nada de mal poderei fazer a quem quer que seja.

Fernando Pessoa escreveu um curto poema em que descreve a sua compaixão. Por favor, leia devagar: 'Aquele arbusto fenece, e vai com ele parte da minha vida. Em tudo quanto olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa, passo. Nem distingue a memória do que vi do que fui'.

Compaixão por um arbusto... Ele explica esse mistério da alma humana dizendo que 'em tudo quando olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa passo...' Os olhos, movidos pela compaixão, o faziam participante da sorte do pequeno arbusto...

Eu já sabia disso. Mas nunca havia enchido o meu coração ao ponto de doer. Doeu porque liguei a fala da Camila a essa tristeza que está acontecendo no Brasil. Os corruptos são homens que passaram pelas escolas, são portadores de muitos saberes. Tendo tantos saberes, o que lhes falta? Falta-lhes compaixão.

A falta de compaixão é uma perturbação do olhar. Olhamos, vemos, mas a coisa que vemos fica fora de nós.

Vejo os velhos e posso até mesmo escrever uma tese sobre eles, se eu for um professor universitário. Mas a tristeza do velho é só dele, não entra dentro de mim. Durmo bem.

Nossas florestas vão aos poucos se transformando em desertos mas isso não me faz sofrer.Não as sinto como uma ferida na minha carne.

Vejo as crianças mendigando nos semáforos mas não me sinto uma criança mendigando num semáforo.

Vejo os meus alunos nas salas de aulas, mas meu dever de professor é dar o programa e não sentir o que os meus alunos estão sentindo.

De que vale o conhecimento sem compaixão?

Todas as atrocidades que caracterizam os nossos tempos foram feitas com a cumplicidade do conhecimento científico. Parece que a inteligência dos maus é mais poderosa que a inteligência dos bons.

Sabemos como ensinar saberes. Há muita ciência escrita sobre isso. Mas não me lembro de nenhum texto pedagógico que se proponha a ensinar a compaixão. Talvez o livrinho de Janucz Korczak Como amar uma criança. Mas Korczak é uma exceção. Ele sabia que para se ensinar algo a uma criança é preciso amá-la primeiro.. Korczak era um romântico... Por isso o amo...

Aí fiz a mim mesmo uma pergunta pedagógica: 'Como ensinar a compaixão?'

Conversando sobre isso com minha filha Raquel, arquiteta, ela se lembrou de um incidente dos seus primeiros anos de escola, quando menina de sete anos. Seria o aniversário da faxineira, uma mulher que todos amavam. A classe se reuniu para escolher o presente. Ganhou por unanimidade que, no dia do seu aniversário, as crianças fariam o seu trabalho de faxina.
Disse-me a Raquel que a faxineira chorou...

Sei que as crianças aprendem com o olhar, o olhar das professoras. Elas sabem quando as professoras as olham com os mesmos olhos com que Fernando Pessoa olhava o arbusto.

Sei também que as estórias provocam compaixão, quando o leitor se identifica com um personagem. Sei de um menininho que se pôs a chorar ao final da estória O patinho que não aprendeu a voar. Ele teve compaixão do patinho. Identificou-se com ele. Vai carregar o patinho dentro de si embora o patinho não exista.

Lemos estórias para as crianças e para nós mesmos não só para ensinar a língua mas para ensinar a compaixão.

Mas continuo perdido.

Preciso que vocês me ajudem.

Como se pode ensinar a compaixão?

Fonte:
http://www.rubemalves.com.br/meucaoracaoficajuntoaocoracaodela.htm

domingo, 30 de agosto de 2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Vivendo .... refletindo e sonhando





Eu queria ter hoje uma música, uma poesia, uma prosa, ou ainda, outra forma poética de expressar os meus sentimentos, mas não tenho o dom da palavra, não sei escrever poemas, muito menos prosas ou poesias. 
Assim deixo as palavras fluírem, expressando o que bate no peito. 
Se é saudade eu não sei, se falta ou se ausência, também não sei responder, sei apenas que na vida tudo muda de repente, tudo se esvai, tudo passa, tão rápido tão de repente que mal se pode entender.
Queria descrever esse elo, que como um elástico esticando vai me distanciando do que eu era, do que eu quero conservar.
Se tudo ficasse parado, talvez em algum instante eu voltasse a te encontrar.

Uma mãe à procura de seu filho.

sexta-feira, 12 de junho de 2009