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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Vamos encontrar nosso menino...que palavra confortadora!


Minha postagem de hoje é um agradecimento à solidariedade de todos os que têm compartilhado as postagens de tentativas de encontrar o meu filho Ozéas Junior.

Saibam que o compartilhamento tem gerado em mim a esperança de um dia, essa informação  chegar a alguém que o tenha visto.

A dor é inigualável, mas a esperança se renova a cada novo parceiro de busca!

Saber que o meu filho esteve alí, bem ao meu alcance e que eu não consegui ajudá-lo foi decepcionante. 

Saber que a razão dessa  fuga é uma doença, me doe o coração. 

Ele, mais do que qualquer outro filho sadio, precisa de cuidados médicos, apoio familiar e carinho, para se recuperar.

Ele está sofrendo fome, frio, desabrigo, insegurança e todas as humilhações pelas quais passam os desvalidos, em seu caso, um andarilho.

Tudo de que ele precisa está à sua disposição e por não estar discernindo bem, não consegue usufruir. 


Saibam que para mim, é impossível estar de pé, sem a ajuda dos irmãos e amigos, que além de orarem por nós, têm compartilhado e torcido de coração para que o desfecho dessa busca seja positivo, vitorioso.

Tenho exposto a minha necessidade e o meu coração a todos. 

Nessa exposição e pedido de ajuda, alguém me perguntou:

Você não está fazendo isso de forma tardia?

Respondo:

Não, meus amigos.

Eu sempre estive procurando o meu filho, nunca desisti de procurá-lo, embora sequer soubesse que ainda vivia.

Somente no dia  24.03.18, quando o Agente da Polícia Civil de Curitibanos/SC, Rafael Flamia, entrou em contato comigo,  me perguntando: Essa é a voz do seu filho? 

Ao ouvir a sua voz e ver as tristes imagens de como  ele se encontrava, então, tive certeza de que estava vivo. 

Antes, eu não sabia, embora, lá no fundo do meu coração,  eu acredissse nisso.

Nesses 13 anos, a primeira informação objetiva que tive do meu filho foi aquela que o Agente Rafael me deu.

Não tenho palavras para agradecer ao Rafael, esse agente da Policia Civil, ciente de seu papel como servidor público, e com muita consciência e conhecimento sobre o que fazer diante de um incapaz, coisa que  a promotoria não conseguiu alcançar.

Assim eu vi e ouvi o meu filho..


Meu coração disparou, adrenalina afetou as emoções e a minha ansiedade foi tamanha que quase tive uma parada cardiáca quando ouvi o veredito do promotor.  

Devolva-o para as ruas, parafraseando!

Uma decisão equivocada que me negou o direito de tratar o meu filho.  

Mas, pela graça divina, eu sobrevivi e apoiada por muitos amigos parceiros,  travei essa guerra, essa campanha por encontrá-lo.

As orações, as palavras incentivadoras, os compartilhamentos, me mantido de pé e firme.

Vamos encontrar nosso menino! Disse a tia Iracema Costa. Isso me soou muito confortante ao coração.

Vamos encontrar nosso menino Ozéas Junior - Ele precisa de nós!

Nós vamos ajudá-lo a se recuperar!

Com fé no Senhor Jesus, com a ajuda de todos.

Vamos encontrar nosso menino!

Helena Oliveira
Uma mãe a procura de seu filho




sábado, 12 de maio de 2018

A minha fé há de me levar a você., meu filho!

Nesses poucos dias de caminhada pelas estradas à procura de você, meu filho amado, pude perceber quão desgastante é andar sem rumo, sem direção, sem saber aonde chegar ou como chegar.
Inúmeras vezes eu desejei que aquele sentimento chamado intuição me levasse para o lugar em que você se encontra, mas dessa vez ela me foi traiçoeira - não colaborou.
Fiquei em Curitiba até o dia 10.05.18.
Por um momento achei que tinha te achado, pois  tive uma informação e te procurei num determinado acampamento que está acontecendo em Curitiba. 
Não era você!
A minha perigrinação continua!
Agora, de volta pra casa, em Brasília, posso renovar as forças e rever as estratégias.
Saber esperar nunca foi o meu forte, mas essa experiência com a sua ausência me tem sido um aprendizado, dolorido? Sim, mas necessário, porque nunca vou desistir de te encontrar.
Na falta de palavras vou parafrasear o Gerson Cardozo: Te encontrar vai ser tão bom...eu poderei ter mais  paz, mais prazer - eu me sinto muito só, sem você aqui.
Desistir, jamais!
Nesse caso, essa palavra não faz parte do meu vocabulário!
Vou te encontrar, a minha fé há de me levar até você a tempo de poder te ajudar!
Sua mãe!
Helena.



segunda-feira, 7 de maio de 2018

Uma justiça que não gera justiça



Saí de Brasília, no dia 01.05.2018, após uma batalha judicial para conseguir autorização para cuidar do meu filho, Ozéas Junior, esquizofrênico,  desaparecido desde 29.08.2005, e que foi visto e abordado pela Polícia de Ponte Alta do Norte, distrito de Curitibanos, para onde ele foi encaminhado em 24.03.2018, nessa data, Ozéas assinou um Termo Circunstanciado e foi liberado, ou, mais uma vez condenado às  suas constantes peregrinações pelas BRs.
Cheguei em Curitiba às 8:40 da manhã do dia 01.05, acompanhada do investigador da Polícia Civil do Maranhão, Bruno, uma dessas pessoas depreendidas, que para ajudar, foi capaz de se deslocar, com licença do trabalho, somente para contribuir com essa causa.
Alugamos um carro e seguimos pela BR 116, de Curitiba/Paraná, a Curitibanos, parando nos Postos da Polícia Rodoviária Federal e distribuindo Folhetos informativos sobre o caso. Conversamos com vários caminhoneiros, estivemos na Administração da BR 116, solicitando informações e ajuda, conseguimos muitos parceiros bem dispostos a nos ajudar a encontrar o meu filho.


Chegamos à Ponte Alta do Norte, para o almoço, às 16h15min. Sim, estávamos sem fome enquanto percorríamos a BR 116, cumprindo a nossa missão. 
Por ironia da vida, e por necessidade de informações, estávamos lá, no Restaurante onde meu filho, segundo consta no Boletim de Ocorrência 00012-2018-0001301,  foi abordado, quando se encontrava à porta daquele restaurante, comendo uma quentinha, que alguém de coração bondoso o havia doado. Ao que consta no Boletim, a Polícia foi acionada por um empregado do restaurante, e meu filho reagiu muito negativamente, desacatando o policial, que segundo declarou usou de força moderada para conter o Ozéas.
Como resultado dessa abordagem, meu filho perdeu o alimento e foi conduzido à delegacia de Curitibanos. 
Agora, 01.05.2018, às 16h30min, eu estava lá. Pedi algo para almoçar, enquanto a minha mente e emoção olhava para aquele espaço, aquela porta de entrada, as pessoas, tão educadas com os clientes, bondosas ao que parecia. Enquanto observava, as minhas  entranhas se derretiam . Tentei imaginar a situação daquele fatídico dia em que o Ozéas estava alí, humilhado e faminto. Percebi que o alimento que precisava ali, era, antes de tudo, observar e descobrir a pessoa certa que poderia me prestar informações sobre o meu filho, afinal, eles teriam sido os últimos a vê-lo, de fato, depois de quase 13 anos.
Enfim, conversei com a esposa do Sr. Francisco, e depois, com ele próprio. Ambos, conversaram comigo e se mostraram solícitos em ajudar, tinham a história em suas mentes, foi, segundo disseram, chocante quando souberam que a família do Ozéas havia sido contatada pela Polícia de Curitibanos.
Após essa conversa, e por indicação da Sra Liana, pernoitamos em Curitibanos.
Logo pela manhã, por volta de 8h, fomos à delegacia de Polícia Civil, fomos atendidos pela Delegada Regional Dra. Roxana. Ela nos prestou todos os esclarecimento sobre a situação, lamentou o fato de não ter conseguido ajudar à época, em 24.03, dada as limitações legais e também nos orientou sobre os outros procedimentos, dentre eles, o Registro de Ocorrência, que ela própria preencheu e encaminhou às autoridades competentes, no caso, a Delegacia de Desaparecidos de Santa Catarina. Também nos informou que os abrigos e o Serviço Social não fizeram nenhum atendimento ao Ozéas, não havia registros. Fui informada, ainda, que naquele dia 02.05.18, às 13h:30min, estava agendada uma audiência do Ozéas, meu filho, na Promotoria.
Agora, de posse de documento de Curatela, fui à audiência.  Verifiquei com a secretaria do Fórum. A audiência constava da pauta e foi confirmada para às 13:30. Lá fiquei aguardando, por ter chegado com bastante antecedência.
Qual não foi a minha surpresa, quando a secretária me informou que não haveria audiência. A Promotora encarregada pelo fato não me atendeu e transferiu o Processo para a 3a. Promotoria, que tem a competência de analisar os processos criminais. A Promotora, em seu parecer, enquadrou o  Ozéas Lima de Oliveira Junior, nos Artigos 329, 330 e 331. 
" Dessa forma, a soma das penas dos crimes ora atribuídos ao autor dos fatos, supera os dois anos previstos no art 61 da lei 9.099/95..."

Quando questionei o fato de estar lá representando o réu e não ser atendida pela promotoria, o Digníssimo Juiz de Direito Dr. Eduardo Passold Reis, me atendeu e mui gentilmente coletou as provas da minha representação e os documentos para anexar ao processo.
Sou leiga, minha formação não é jurídica, não tenho Know how para questionar a operacionalização da justiça, entretanto, me causa estranheza o fato de que, para ajudar a um andarilho, descompensado e que durante o depoimento se manteve inalterado, 

"que nega que tenha proferido qualquer ofensa contra o policial e  foi abordado enquanto estava almoçando uma marmita que ganhou naquele restaurante". 

A justiça, a Promotoria, não autorizou o encaminhamento para o Serviço Social, ou para um abrigo ou coisa similar, alegando que o Ozéas não havia cometido crime. Entretanto, no dia da audiência, o Ozéas estava sendo indiciado como criminoso, pela mesma promotoria,  com previsão de retenção de mais de 2 anos.

O que seria menos oneroso para o Estado e mais efetivo para as famílias desesperadas que procuram seus entes queridos; enfim, para o tratamento dos incapazes, principalmente desse cuja a mãe estava ao telefone, clamando por ajudar o filho? 

Encaminhar ao Serviço Social, serviço médico, ou abrigo e entregar à família para os devidos cuidados ou condená-lo e retê-lo numa prisão e mantê-lo de forma invisível para a família, e para quem se interesse por ajudar?

Uma justiça que causa injustiça!

Quanta indignidade em condenar um desvalido, desesperado, humilhado, incapaz, doente!



Uma mãe em busca de seu filho!


 

domingo, 29 de abril de 2018

Vou te encontrar, onde quer que for!




Depois de tantos anos de espera, depois de breves minutos de encontro e desencontro inusitados, finalmente, posso partir em sua direção, meu filho amado, com a certeza de que seguirei as estradas da vida até te encontrar.
Você é precioso demais para mim e para nossa família!
Nesse momento, eu não tenho nenhuma idéia de onde você se encontrar, não sei se estás abrigado ou não; sei porém, que a minha fé me levará até você a tempo de poder te ajudar. O mais importante é saber que estás vivo, depois de tantos anos de sofrimento e angústia.
Assim como a mulher em busca da dracma perdida, descrita na parábola de Jesus, em Lucas, eu estou saindo, acendendo a candeia da fé, as lâmparinas do amor e os faróis da perseverança.
Deus há de fazer convergir todas as coisas para o nosso bem, para o nosso encontro e para a nossa alegria.
Contamos com a parceria de muitas pessoas de bem, que alicerçados no amor,  abrem alas de esperança para os desesperançados. Essas pessoas são capazes de abdicar de seus compromissos e dedicar tempo e atenção à causa de outrem, como a nossa. A elas, o meu reconhecimento e a certeza de que Deus as recompensará, porque nessa vida os favores que recebemos têm valor inestimáveis, incalculáveis. Não temos como monetarizar favores imerecidos.
Você é para mim, como a dracma perdida descrita por Jesus, é também, como a palavra rara de Carlos Drumond de Andrade.

"Certa palavra dorme na sombra de um livro raro.
Como desencanta-la?
É a senha da vida, a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira, no mundo todo. 
Se tardar o encontro,
se não há encontro,
não desanimo, procuro sempre.
Procuro sempre, 
e minha procura, 
ficará sendo a minha palavra".


Minha jornada em direção a você está em fase final...vou te encontrar onde quer que for!

Sua mãe...!